União no topo da tabela


Era sabido que um fato histórico estava acontecendo em janeiro de 2021. Foi no dia 18 daquele mês que os grupos FCA e PSA oficializaram a união de suas forças – as conversas aconteciam há tempos – e criaram o Grupo Stellantis. Basicamente, para o mercado brasileiro compreender de maneira cristalina o que significava tal movimento, Fiat e Jeep estavam juntando-se a Citroën e Peugeot, criando, desta maneira, um grupo bastante forte.


Falamos em quatro marcas (as mais conhecidas do mercado brasileiro, é verdade), mas a Stellantis representa, de fato, 20 nomes, alguns dos quais bastante propagados. Aqui podemos citar Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Dodge, Lancia, Maserati e Ram. Quer dizer: Fiat Mobi, uma picape grandona da Ram e um super, ultra, mega esportivo da Maserati estavam em um mesmo grupo. A ideia não era apenas fortalecer marcas, mas também compartilhar tecnologias. Ainda não vimos de fato, mas logo teremos algo que só aparecia em carros da Fiat sendo implantados em modelos da Peugeot, por exemplo.


A consequência desta mudança já acontece no mercado brasileiro, embora não tenha lá uma grande relação. Culturalmente, brasileiros gostam de determinadas carrocerias e muitos costumam ser fieis às marcas. A Fiat e a Jeep têm diversos fãs. Na região de Belo Horizonte, por exemplo, as marcas vendem muito bem. Há quem diga que se trate de um prestígio à presença da fábrica da Fiat em Betim.


Vamos ver as consequências da união nos números. Na lista dos 10 carros mais vendidos no Brasil em abril de 2022, representantes da Stellantis ocupam seis posições. Tá... podem lembrar que todos compõem a antiga FCA, mas eles estão lá. Começa pelo carro mais comercializado do Brasil, a Fiat Strada, que foi totalmente renovada em junho de 2020 e, em dezembro de 2021, passou a contar com transmissão CVT (antes era tudo manual). Completam o Top 10 modelos como Mobi (3º colocado), Pulse (5º), Argo (6º), Toro (8º) e Jeep Compass (10º). Até a 20ª colocação ainda aparecem Jeep Renegade (13º) e Fiat Cronos (19º).


Podemos perceber que o FCA está muito bem representado e a Fiat principalmente. Há alguns fatores que ajudam e o mais evidente é a simplicidade dos modelos. A configuração de motores e transmissões são muito bem definidas e as tecnologias a bordo são de fácil manuseio. Não é necessário ler páginas e mais páginas dos manuais para entender o funcionamento.


A outra questão aparece nos preços. Não há mais carros zero km baratos no Brasil, mas a Fiat ainda consegue manter uma linha de preços mais compatível com o bolso do consumidor. A Fiat, com tudo isso, mantém a imagem de um segmento que parece a cada dia mais apagado no Brasil, o carro de volume.


O que pode acontecer com a formação da Stellantis e a troca de figurinhas e tecnologias é a introdução de mais tecnologias nos modelos de todas as marcas. Pensa no Argo com o i-cockpit do Peugeot 208, ou o 2008 recebendo a tecnologia de fácil manuseio de um Pulse. Não deve ser exatamente isso o que irá acontecer em breve, mas que o mercado irá ver mudanças, irá.


Mas que todos recebam a massagem oferecida nos bancos frontais do Peugeot 3008.

Aceleremos!!


Paulo Rogério - Editor Chefe Revista Auto Aventura - Leia outras notícias em www.autoaventura.com.br

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