Tic-tac... Tic-tac... As batidas que regem o tempo

Mergulhe nas curiosidades sobre um dos inventos mais antigos da humanidade: o relógio.



Dentre a linha que separa ser amado por uns e odiado por outros, o relógio tem um papel fundamental na vida do ser humano. Ele é quem dita e impõe a exatidão dos momentos eternizados, como o registro do nascimento ou dos décimos de segundos nas quebras de recordes em uma Olimpíada.

Você sabia que as batidas dos relógios mecânicos já deram nome à bala açucarada, palhaço e Mc? Nos anos 80, ao lado da apresentadora Gigi Anhelli, o ator, escritor, consultor e professor Marilam Sales deu vida ao divertidíssimo Tic-Tac no saudoso programa Bambalão (TV Cultura).



Já cantava Cazuza que “o tempo não para” e como marcá-lo sem os ponteiros, os dígitos, as sombras, os grãos de areia... de um relógio?

Você sabia que existe uma ciência relacionada ao estudo da medição do tempo? Trata-se da Horologia que também é o nome dado ao ofício de fabricar todo e qualquer instrumento utilizado para marcar o tempo.

O relógio é uma das invenções mais antigas na história da humanidade. Considera-se o relógio de sol como sendo o pioneiro no registro do tempo. Babilônios e egípcios observaram que o sol criava sombras que se moviam em torno de uma haste presa ao solo na vertical. Esta dinâmica originou o Gmonôn.



Desde então uma variedade de modelos foram surgindo ao longo dos séculos: relógio de água, relógio de areia (as famosas ampulhetas), relógio de pêndulo, relógio mecânico, relógio digital... até os modernos smartwatches. Do alto das torres, como o famoso Big Ben, em Londres (Inglaterra) aos pulsos da humanidade.

E por falar em torres... Você sabia que Big Ben é o nome do sino localizado na torre (Elizabeth Tower) do prédio que abriga o parlamento inglês e não do relógio que ali se localiza a uma altura de 96 metros?

Já o maior do mundo é o Relógio de Meca, instalado em agosto de 2010, com 43 metros de diâmetro e pode ser avistado à distância de 400 metros. Cerca de 90 milhões de ladrilhos foram usados para compor os mosaicos de suas quatro faces no alto da torre de uma altura quase seis vezes maior que a do famoso londrino (577 metros).



Você sabia que um famoso modelo artesanal de relógio surgiu na Alemanha do século XVII? Trata-se do relógio cuco criado por Franz Anton Ketterer. Conta-se que inspirado no canto do pássaro que vivia na mata de Floresta Negra, Franz fez a associação com o funcionamento do relógio e assim surgiu o primeiro relógio cuco.

Confeccionado em madeira e com engrenagens movidas à corda, de hora em hora, uma pequena porta localizada acima ou abaixo da área do relógio se abre para que um pequeno pássaro apareça e anuncie as horas ao som de “cuco... cuco... cuco...”.

O modelo ainda permanece presente na sala de algumas famílias e segue a tradição ao passar de geração em geração. O pássaro foi substituído por outros personagens na variedade de modelos que surgiram, mas seu nome eternizou no clássico cuco.

Rege a lenda de que o relógio de pulso foi invenção do Pai da Aviação (até rimou) Santos Dumont? Uma vez que o tradicional relógio de bolso da época atrapalhava o controle dos ponteiros e do painel da aeronave, para atendê-lo, em 1904 o amigo Louis Cartier desenvolveu o protótipo que permitia manusear os controles e ficar de olho no relógio adaptado ao pulso.

No entanto, você sabia que outras teorias contam o contrário. A primeira, de que foi criado em 1814 como presente à irmã de Napoleão Bonaparte e a outra de que foi inventado em 1868 os fundadores da relojoaria Patek & Phillipe, Antoni Patek e Adrien Phillipe.

Cada geração teve e continua a ter o relógio de sua época, de bolso, de pulso, em formato de anel ou de pingente, à bateria ou à corda... O modelo de acessório que pode ter sido inventado como um acessório feminino ganhou a simpatia de todos para compor o visual e a elegância.

E se o mundo anda confuso, imagine-o sem a existência do relógio...



Pontos turísticos às badaladas

Além dos já citados Big Ben e Relógio de Meca, alguns pontos turísticos têm como atrativo um marcador do tempo. Um exemplo na capital paulista é o relógio d’água localizado no Shopping Iguatemi. Uma verdadeira obra de arte inaugurada em 1982, a atração mede 8,5 m e é composta por 120 m de vidro por onde passam 250 litros do líquido que dá vida ao mecanismo que leva a assinatura do físico francês Bernard Gitton.



Belos aos olhos são os relógios das flores presentes em algumas cidades brasileiras. Águas de Lindóia e Santo Antônio do Pinhal (SP), Blumenau (SC), Curitiba (PR) e Petrópolis (RJ) são alguns dos exemplos onde tive o prazer de visitar.

Inaugurado em 1913, o relógio da estação Gran Central Terminal, em Nova Iorque (E.U.A.) faz-se presente em filmes e séries de TV. Você sabia que é considerado um dos pontos de encontro mais populares da “Grande Maçã”?



Relógio na literatura e no cinema


Papel fundamental em cenas que eternizaram clássicos da literatura, tal qual na vida real, o relógio também traça o destino de personagens. Como esquecer-se das doze badaladas do relógio que colocaram fim no encanto da Fada-madrinha sobre Cinderela e fazendo-a perder seu sapatinho de cristal na fuga para evitar que o Príncipe descobrisse sua verdadeira identidade?

Tic-tac... Tic-tac... Tic-tac... Capitão Gancho, vilão de “Peter Pan” de J. M. Barrie, ficou aterrorizado com o toque do relógio engolido pelo crocodilo que se tornou o pesadelo do pirata perseguidor da turma do garoto que se recusava a crescer. Na telona, o clássico da Disney explorou a cena dando pitacos de comédia à reação de Gancho.



Baseado na obra de Brian Selznick, “As aventures de Hugo Cabret”, o filme homônimo conta a história do garotinho que se dedicava a manter em funcionamento o relógio da estação ferroviária onde vivia. Na Paris da década de 30, órfão e filho de um relojoeiro de quem aprendeu o ofício, conhece a amiga Isabelle e descobre que ela tem a chave que se encaixa no robô herdado por ele de seu pai... Dirigido por Martin Scorsese, o roteiro adaptado é de John Logan.

Também é o relógio que conduz o DeLorean em suas viagens no tempo na trilogia “De volta ao futuro”. Marty McFly e Dr. Emmett Brown correm contra o tempo em suas atrapalhadas aventuras ao passado e ao futuro graças ao inventor que usa um relógio como comando da “máquina do tempo” quatro rodas.

Já Alice, de Lewis Carroll chegou ao País das Maravilhas após perseguir a Lebre que estava “atrasada”. Você sabia que ao longo da história observamos que o tempo ganha destaque em alguns diálogos entre a heroína e personagens com que ela se encontra? Um exemplo deles é Chapeleiro Maluco. Dentre suas falas, ele diz: “Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu [...] você não falaria em desperdiçá-lo” (“Alice no País das Maravilhas”).

Ei, Chapeleiro, nós da vida real também não queremos desperdiçar o “nosso” amigo Tempo...

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