Os quadrinhos são conhecidos por "9ª Arte"

Popularizado pela veiculação nos jornais, o gênero que agrada dos pequeninos aos mais experientes imortaliza personagens e seus criadores.


Walt Disney, Maurício de Sousa, Daniel Azulay, Stan Lee, Bob Kane, Ziraldo... Peço-lhe licença para destacar aqui meus gênios favoritos da 9ª Arte. Ei, você sabia que, seja em tirinhas ou em formato de revista, assim os quadrinhos são chamados?


Mesmo quem não é adepto ao hábito da leitura, certamente já correu os olhos por uma tirinha ou uma história em quadrinhos (HQ). O gênero literário agrada o público de todas as idades nas diversas modalidades, do tradicional ao mangá, com os mais diversos personagens que vão de vilões a super-heróis, de multimilionário pão-duro a patetas...


Um reflexo dessa realidade é o crescente público a cada edição da Comic Con agora chamada CCXP (Comic Con Experience). No Brasil, o último evento presencial realizado em 2019 reuniu mais de 280 mil pessoas.


Você sabia que o termo “comic” (cômico em inglês), como a HQ é conhecida nos Estados Unidos é oriundo do humor característico que acompanhou o gênero nos primórdios.


Gênero literário caracterizado pela narrativa, a HQ ou gibi ou revistinha reúne elementos essenciais: texto e imagem – linguística e pictórica, como preferir. A narração é feita através de balões com características próprias nas bordas para indicarem o humor do personagem e quadrados ou retângulos quando se trata do narrador. Uma curiosidade é o uso sem reservas da onomatopeia para simbolizar quaisquer tipos de sons da narrativa. Boom! Grrrrr! Pow! Miau! Zzzzz... Tic-tac...


Você sabia que foi através dos jornais impressos e, também, das revistas que os quadrinhos ganharam popularidade? Eles eram publicados em formato de tirinhas, como ainda vemos nos periódicos de hoje.

No Brasil, “As aventuras de Nhô-Quim” do desenhista ítalo-brasileiro Angelo Agostino foi a primeira tirinha publicada. Sua estreia foi na revista “A vida fluminense”, em 1869, e é considera uma das mais antigas da história da 9ª arte. O personagem principal era um caipira que se muda para o Rio de Janeiro e fica espantado com os costumes da cidade grande.


Alguns estudos consideram “The Yellow Kid” (O garoto amarelo) de Richard Outcalt como sendo a tirinha pioneira publicada no modelo que prevalece até hoje. Sua estreia foi na revista “Truth”, em 1894, onde ganhou espaço até 1895, ano em que passou a integrar o jornal americano New York World e três meses depois a versão P&B ganhou cores.


Enquanto “Superman” (Estados Unidos, 1939), de Jerry Siegel e Joe Shuster, tornou-se a primeira HQ conhecida, “O Tico-tico” leva o mérito. A publicação inicial foi em 1905 e o projeto foi concebido pelo desenhista Renato de Castro. Outro fato marcante em solo brasileiro é que “A turma do Pererê”, de Ziraldo entrou para a história como sendo a primeira revistinha nacional 100% colorida, em 1960.

Chamada de “Era de Ouro dos Quadrinhos Americanos” marcou o surgimento dos principais super-heróis desde a chegada do Super-Homem e seguiu até meados dos anos 50. Foi nesse período que grandes cartunistas como Stan Lee garantiram seu lugar no legado da HQ.


Apesar das divergências entre os fãs dos quadrinhos com relação ao conteúdo apresentado pelo Universo Cinematográfico Marvel, Capitão América, Homem de Ferro, Capitã Marvel, Hulk, Thor, Doutor Estranho, Homem-Aranha & Cia. tem levado as criações do saudoso Stan Lee dentre as maiores bilheterias da telona.


E como citar super-heróis sem destacar o milionário e filantropo Bruce Wayne que no interior da Batcaverna desenvolve seus “brinquedinhos” em alta tecnologia para que, sob a máscara de Batman – Homem-Morcego, Cavaleiro das Trevas –, combata os maiores vilões de Gothan City, dos caricatos Coringa e Pinguim à charmosa Mulher-Gato.


Você sabia que o personagem Batman criado por Bob Kane teve sua primeira aparição na DC Comics em 1939 e que Bill Finger leva o crédito de ser seu cocriador? A propósito, DC significa Detective Comics que foi título de uma das histórias do Homem-Morcego e além de imortalizá-lo ao lado de Superman, também é referência para mais de 10 mil super-heróis, como Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash, Robin e Shazam.


De volta à terra tupiniquim, escrever sobre HQ sem destacar o brasileiríssimo Maurício de Sousa seria o mesmo que servir “romeu e julieta” sem queijo... Sua primeira criação foi aos 12 anos, em 1947: sem cores, os traços do Capitão Picolé são comparados aos do dinossauro Horácio.


Você sabia que os primeiros personagens da Turma da Mônica foram Franjinha e Bidu veiculados em tirinhas de jornal? Já as primeiras HQ foram publicadas em 1970.


“Mônica e sua Turma” amadureceu, transformou-se em “Turma da Mônica” e ganhou a versão mangá “Turma da Mônica Jovem”. Inspirado na personalidade de seus filhos, os personagens têm acompanhado várias gerações desde que foram apresentados aos leitores.


E por falar em inspiração, assim como tive a oportunidade de dizer ao “pai da Mônica, da Magali, do Do Contra, do Mauro...” que ele é uma das duas principais fontes de inspiração do meu DNA apaixonado pela literatura, Walt Disney é meu “muso inspirador”.


Nem sempre o nome do gênio Walt Disney é relacionado à HQ, uma vez que seus múltiplos talentos também o levaram ao estrelato na TV, no cinema (“Branca de Neve e os sete anões” foi um dos marcos por ele deixados que rendeu aquela cena inesquecível na entrega do Oscar Honorário com uma estatueta em tamanho natural acompanhada de 7 minirréplicas), no entretenimento (Disneyland e Walt Disney World são o resultado de um visionário que queria criar um espaço onde pais e filhos pudessem se divertir juntos e a fórmula foi para lá de exitosa...).


Como ele costumava dizer, “tudo começou com um rato”... Criado para uma animação em 1928 e batizado como “Mortimer” e “Willie”, no caminho inverso da maioria dos personagens de sucesso, o simpático ratinho deixou as telas de cinema para invadir as tirinhas de alguns jornais americanos e em pouco tempo passou a ser veiculado em 22 países?


Você sabia que a primeira HQ do ratinho mais amado do mundo, “Mickey Mouse Series” foi lançada em janeiro de 1931? Sua inspiração foi no pequeno animal que morava em seu quarto e com quem ele partilhava sua comida. Sim, antes da fama, depois de deixar sua terra natal a bordo de um trem inspirado nos textos de Mark Twain para desbravar o mundo, Walt passou por momentos difíceis para sobreviver.

Ah! E você sabia que no dia 30 comemoramos o Dia Nacional da Revista em Quadrinhos como homenagem à primeira publicação de Nhô-Quim?


É uma grande alegria observarmos no decorrer das décadas tantos profissionais talentosos que dedicam seus dons à 9ª Arte, nossa companheira nos momentos de lazer e diversão! Um deles foi o saudoso Daniel Azulay, criador da “Turma do Lambe-Lambe”. Quantas trapalhadas Gilda, Pita, Damiana e toda turminha arrancaram gargalhadas dos leitores!


Que tal passar na banca de jornal mais próxima de sua casa ou nas plataformas digitais ou mesmo na sua estante ou baú e escolher uma HQ para hoje? Deleite-se da leitura!


Recado aos leitores:


Receber o convite-desafio para escrever a vocês nesta coluna foi um presente e espero que vocês tenham gostado de ler sobre a 9ª Arte e sintam-se inspirados a mergulhar em uma de suas HQ’s favoritas. (Obrigada, Helena!)
Que tal partilhar com todos os leitores sobre seus desenhistas e roteiristas favoritos?
Até o próximo mês!

Ana Paula Bertolini, paulista, jornalista e consultora literária.


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