Inspirar-se


Aos escritores não é dado o direito à inspiração, mal é dado o único direito de sentir! Mas em alguns momentos a pena é mais rápida que o cérebro e as palavras inundam as folhas de papel como estrelas cadentes que assinalam no céu um novo evento.

Geralmente em noites longas as horas são escassas para produzir. É como um lobo faminto que brota de esconderijos e tocas e vai feroz em busca da alma mais sedenta....

Nesse momento nada é muito para falar... nada é insignificante para ser transformado e parece que o Universo inteiro para! Os sentimentos vão tomando conta do minguado vocabulário que uma vida inteira você adquiriu... a vida brota em cada poro. A suavidade e a delicadeza tomam a forma mais sublime e tocante que a vida pode nos presentear.

Não há fome, nem sede e tampouco você consegue livrar-se da maldição que é falar pelas palavras. Seu desejo é de sentir prazer com as letras como se um êxtase múltiplo pudesse aplacar as ideias que vão surgindo uma após a outra.

É uma vigília semi dormida... é um acordar de um sonho repleto de poesia. Deve ser comparado apenas aos amantes que saciam sua volúpia durante toda noite e apaixonados encontram na furtiva paixão que os devora momentos de encantamento eterno.

Em noites de produção que liberta a vida ecoa no frio que aquece e no sol que nunca mais se põe. A dança da vida fica ali acuada e o mundo parece um minúsculo lugar onde sua mente sobrevoa num misto de vida e morte.

Bem vinda eternidade poética...

Usa meus sentidos para assinalar ao mundo como a vida e o viver podem ser inspiradores!


Helena Fraga 24/06/2021

1h00

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